Brasil Beverage Trends 2020

28 fatores de influência do mercado BrasilBeverageTrends2020 2.1 Impulsionadores da demanda No período seguinte (2010 a 2015) essa tendência con- tinuou, como demonstram as estatísticas da Associação Brasileira da Indústria de Refrigerantes e Bebidas Não Al- coólicas, ABIR, sobre volume de consumo aparente per ca- pita (Tabela 2.2). Manteve expressivo crescimento a bebida energética e também a água mineral, o suco de fruta em- balado e os chás prontos para beber (RTD). Por outro lado, houve queda no consumo per capita de refrigerantes, acima de 13 litros por habitante/ano que, nesse caso específico, reflete uma tendência mundial (ver Capítulo 4). Os dados da POF 2008/2009 (IBGE, 2011) evidenciam o potencial de crescimento da demanda de bebidas não al- coólicas conforme aumenta a renda per capita da população, uma vez que existem sensíveis diferenças entre as quantida- des adquiridas pelas famílias conforme os estratos de ren- da. Por exemplo, as famílias no estrato acima de 15 salários mínimos, em relação às famílias até 2 SM, compram bebi- das energéticas quase 30 vezes e sucos embalados 21 vezes mais. A distância é um pouco menor em relação à água mi- neral (5,8 vezes), refrigerantes (4,2) e chás (2,9 vezes), en- quanto para o café a diferença é de apenas 1,3 vez. Portanto, na hipótese de continuidade do crescimento da renda per capita dos brasileiros, o mercado de bebidas não alcoólicas apresenta grande demanda reprimida que poderia ser direcio- nada para determinadas categorias de produtos. Porém, na direção contrária, nos proximos anos a perspectiva parece ser de retração no consumo, considerando o quadro de recessão econômica iniciado em 2014, com crescimento do PIB de 0,1%, agravado com a retração do PIB de 3,8%, em 2015, com permanência da inflação em taxas elevadas. O mercado de bebidas não alcoólicas no Brasil é forte- mente influenciado pelo crescimento econômico com dis- tribuição de renda que favoreça o segmento gigantesco de consumo de baixa renda existente. Com a atual situação eco- nômica, torna-se uma incógnita como será o desempenho do mercado diante do período recessivo, na iminência da perda dos ganhos reais de renda obtidos nos últimos anos. Por outro lado, o desenvolvimento das regiões interioranas demonstra um maior potencial de sustentação do crescimento do merca- do brasileiro nos próximos anos. Crescimento e distribuição da renda familiar No período de 2000 a 2010 ocorreu uma significativa mu- dança no quadro de distribuição de renda no Brasil, como é possível constatar por meio dos dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios PNAD 2001 e 2011 (Figura 2.2), que mostram a forte redução na quantidade de habitantes sem rendimento. Existe uma relação direta comprovada entre a di- minuição da desigualdade de renda e o aumento do consu- mo de produtos alimentícios de maior valor agregado (CIRE- RA; MASSET, 2010), efeito que, aparentemente, ocorreu no mercado de bebidas não alcoólicas. Os dados da Pesquisa de Orçamentos Familiares POF 2002/2003 e POF 2008/2009 (Tabela 2.1) sobre aquisição alimentar domiciliar per capita indicam que houve um forte crescimento das categorias suco de fruta embalado (37,0%), água mineral (27,5%) e bebida energética (15,1%), enquanto os refrigerantes tiveram cresci- mento menor (3,0%) e chás e cafés retração (-7,8% e -3,0%), respectivamente.

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